Caio Fernando (Loureiro de) Abreu
Nasceu em 12/09/1948, em Santiago,
RS. Jornalista e escritor, reconhecido como um dos expoentes de sua geração. Ainda jovem foi
morar em Porto Alegre, onde cursou Letras e Arte Dramática na UFRGS, mas
abandonou tudo para ser jornalista. Trabalhou nas revistas Nova, Manchete,
Veja e Pop, foi editor da revista Leia Livros e colaborou em diversos
jornais: Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São
Paulo. Seu primeiro livro de contos – Inventário do irremediável
(Movimento, 1970) – ganhou o Prêmio Fernando Chinaglia, da União Brasileira
de Escritores. O segundo foi um romance – Limite branco (Expressão e
Cultura, 1971) – e já teve três edições em diferentes
editoras. Seu estilo é econômico e bem pessoal, fala de sexo,morte e, principalmente,
das relações afetivas.
Apresenta uma visão dramática do mundo moderno e é considerado um
"fotógrafo da fragmentação contemporânea". Em 1968 sofreu uma
perseguição pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e se refugiou
no sítio de Hilda Hilst, com quem manteve uma longa e sincera amizade. Em
1973, em plena ditadura, fez como muitos jovens, “sartou” do país; viajou
para a Europa. Primeiro andou pela Espanha, transferiu-se para Estocolmo,
depois Amsterdã, Paris e Londres, Retornou a Porto Alegre, em fins de 1974,
com os cabelos pintados de vermelho, brincos imensos nas duas orelhas e se
vestia com batas de veludo cobertas de pequenos espelhos. Em 1978 transferiu-se
para São Paulo; em 1983 passou a residir no Rio de Janeiro e em 1985 retorna
a São Paulo. Recebeu vários prêmios, entre eles o Jabuti pelo romance Triângulo
das águas. Seu livro de contos Morangos mofados (1982) marcou uma
geração ao ser lançado na coleção Cantadas Literárias, da Editora
Brasiliense, tornando-se um dos maiores sucessos editoriais da década de
1980. Vários de seus livros estão traduzidos na Alemanha, França, Inglaterra,
Itália e Holanda. Em setembro de 1994, ao saber-se portador do vírus da AIDS,
retorna a Porto Alegre e passa a viver com os pais no bairro Menino Deus.
Costumava dizer que “Moro no Menino Deus, do qual Porto Alegre é apenas
o que há em volta”. Em 1995 é incluído na antologia de The Penguim Book of
International Gay Writing, com o conto Linda, uma história horrível.
Lygia Fagundes Telles chamava-o de “escritor da paixão”. Outros destaques
de sua obra: O ovo apunhalado (Globo, 1975), Triângulo das águas
(Nova Fronteira, 1983), Os dragões não conhecem o paraíso (Companhia
das Letras, 1988), Onde andará Dulce Veiga? (Companhia das Letras,
1990), Ovelhas negras (Sulina, 1995), Estranhos estrangeiros
(Companhia das Letras, 1996). Faleceu em 25/02/1996.
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